domingo, 28 de maio de 2017

CAMPEONATO MUNDIAL DE XADREZ #01 - 1984


Há dois anos me aventuro nos livros de xadrez, e em todas essas investidas, há sempre um ponto em comum: os livros são caros, raros, e os realmente bons apenas encontro em inglês / espanhol e no formato PDF. Não li muitos livros até o fim, chego até a contar alguns que passei mais tempo: Como Jogar Xadrez Bem (Leonard Barden), Escudeiro de Caíssa (Fernando Melo), Kasparov VS Karpov – 24 partidas de 1990 (Efim Geller e outros)... E após esse último em especial, sempre me desafiava a conferir toda a origem da guerra dos Ks, em 84, mas não me achava suficientemente pronto.




Meses atrás, meu chefe fez um gesto, que além de me surpreender, serviu como “a maça que caiu na cabeça de Newton”: presenteou-me com uma revista de xadrez, de 2005, cujos outros exemplares eu nem mesmo consegui encontrar pela internet. A primeira surpresa, foi um cara difícil e fechado como ele fazer isso, acho que foi sua forma de dizer “olha, garoto, eu num vou com a tua cara, mas já que fica tão fascinado aqui por xadrez na empresa, talvez isso lhe sirva mais do que pra mim”. Sem falar de ter sido a primeira vez que eu recebera um presente desses de qualquer pessoa. Daí a ideia: Vou começar a editar os livros com temas específicos, imprimir, encadernar, e estudar por eles! Não costumam dizer que “Se a montanha não vai até Maomé...”?



Primeiro imprimi incompleto, com todas as partidas do Henry Bird, no qual ele joga sua “abertura Bird” (A02 e A03). Logo depois, pensei em encarar novamente o match de 1984... E o melhor de tudo, corrigindo tudo o que me incomodava nos livros que eu tinha lido, como:

   - notações misturadas,
·         -- descrições vagas da abertura,
· ---- falta de diagramas, ou mesmo, confusos
· --- ou muitas vezes excesso de variantes, que mais desviam do que imergem.

Versão Beta?

·         
Resolvi tanto colocar para leitura online aqui:



Quanto para download aqui:


E mostrar as fotos da versão impressa que vou usar (que qualquer um pode fazer em casa, tendo paciência, é claro):






Mas daí, pode se perguntar o obvio: “Ozymandias, de que vai adiantar apenas reproduzir a partida sem nenhum comentário ou análise de uma engine? Porque se for pra só reproduzir esses lances, eu vou em qualquer banco de dados e vejo no meu computador ou celular!”

E daí eu respondo: Por uma coisa chamada senso critico. É claro que é importante ter auxilio de profissionais, mas chega um momento que se deve perder o medo (e comodidade) e ir ao seu ritmo buscando as soluções, porque de nada adiantará ver variantes extraordinárias em vídeos e afins, se o seu pensamento individual não lhe permitir reproduzir nada na hora de uma partida séria. Conhecimento sólido, no fim vence truques.

Força e honra.


quarta-feira, 24 de maio de 2017

✩ Campanha ❝O Voo de Diana❞ ✩ (1ª parte)

                                                                                                                                 Wagner Williams Ávlis*


 Foi para toda a Comunidade g+Quadrinhos que este tratado
 foi dedicado no ano de sua publicação (2013). 
ΠΣApontamentos Meus

     Nessa parte, o tratado discorre sobre os hiper-saltos da Princesa Amazona, a habilidade que precedeu seu voo e que de certo modo fora uma tácita reprodução da habilidade que tinha o Superman na mesma década, os anos 1940. Discorre ainda a incongruência entre o traje da guerreira grega (muito mais american way) e a tradição helênica das roupas femininas. Destaque para uma teoria da autora que buscou explicar outra incongruência: a existência duma aeronave invisível num mundo isolado da tecnologia patriarcal e que era a símile das eras clássicas da Grécia antiga. Por fim é arrolada uma galeria de capas onde se prenunciava a possibilidade de um voo sem o jato invisível, com as habilidades gradativas chamadas "deslocamento suspenso" e "autoplanagem".


✩ Mulher-Maravilha e Seus Hiperssaltos de Início de Carreira

        William Moulton Marston não elaborou a Wonder pra voar como uma deusa – e arrisco dizer mais, tampouco pra refletir o modo de vida guerreira duma amazona grega! Apesar de não ser algo oficial, nós, leitoras veteranas e conservadoras, na experiência de leitura, postulamos que o aparato mítico-grego da Maravilhosa esteve vinculado à Ilha Paraíso Themyscira e deixado lá pra trás quando da saída de Diana pro mundo exterior patriarcal. Seu modo de vida amazônico deu lugar a uma simples idiossincrasia grega (expressa nas frases de efeito que aludem aos deuses). Por isso, em seu começo, não a vemos prestar culto a suas divindades, não a vemos treinando marcialidade fora de Themyscira, não a vemos conservando suas tradições e ritos, e a vemos permitir-se quebrar o voto de abstinência de sua confraria (ao noivar com Steve Trevor) e absorver, tímida, o modo americano de viver (por força disso, o nome “Mulher-Maravilha” mais suas traduções equívocas de “Miss América” ou “Supermulher” nada aludíveis à Grécia). O uniforme e a aeronave da heroína são pouco gregos ou mitológicos, pois na trama eles agem como elementos politizados: o uniforme tem cores e símbolos da nação estrangeira, e a aeronave é um fator de comparação com a aeronave de Steve Trevor, a fim de ser vista como representante duma civilização de igual tecnologia. Não era que Marston queria desprezar a fortuna grega (ele lia bastante os clássicos); apenas focar sua defesa no feminismo, não importando de qual procedência viera. Entretanto, a Mulher-Maravilha não era uma mulher comum; era uma semideusa “(...) linda como Afrodite, sábia como Atena, tão forte quanto Hércules e tão veloz quanto Mercúrio, vinda da Ilha Paraíso, onde as amazonas governam soberanas…” (Sensation Comics #01, 1942 - introd.), e por isso ela saltava, sobre-humanamente, a grandes léguas ou alturas. Tal trunfo era, na realidade, pra rivalizar com Superman de Jerry Siegel e Joe Shuster, que, à época, não voava também, só hiperssaltava (vocês sabiam disso, gente?). Ainda assim, Marston, desintencionado, abriu margens pra confusão do voo na lambança que futuros escritores, junto dum mercado imaturo, iriam aprontar.


✩ O Papel do Jato Invisível: Uma Teoria Minha

         O jatinho invisível de Diana é um resultado daquela imperícia das editoras emergentes na Era de Ouro. William Moulton Marston não se prendeu a explicá-lo, e, por consequência, o jato seguiu enigmático até o pós-Crise nas Infinitas Terras. Simplesmente ele não tem explicação definida ou razão de origem antes disso. Mas eu, através de 23 anos de leitura e coleção, teorizei algo referente e que encontra apoio em observações de roteiros, guia de quadrinhos, sites estrangeiros e fóruns de debate entre fãs. Não é consenso, mas é algo relativamente reconhecido. O jato invisível na pré-Crise é uma encarnação essencial de Pégaso, o unicórnio voador, espólio de guerra grego, e, portanto, item de Themyscira, e não o tal metal amazonium. O jato, diferente de qualquer outro, pode atravessar a atmosfera terrestre até o espaço sideral. Ele é invisível de modo relativo, pois pra Diana e pras demais amazonas ele é visível (alguém aí já viu Diana “errar” seu embarque? Ou as themysciranas não perceberem seu sobrevoo?); já pros mortais e outros seres o veículo é invisível. Se fosse puro metal geofísico bruto, o jato não atenderia ao comando de voz ou à telepatia de Diana, e careceria de combustível; isso não acontece porque o jato é orgânico, vívido, místico, é a essência mítica de Pegasus adestrado pras petições das amazonas, e, por isso mesmo, ele é destrutível. Não vou aqui dissertar sobre isso agora, mas se quiserem, noutra oportunidade, poderei fazê-lo, citando a fundamentação e as fontes. Quem quiser se antecipar em algumas poucas coisitas, pesquise sobre Sensation Comics #1 (1942), Wonder Woman #32-36 (1949), #43 (1950). Podem conferir algum fundamento num compacto da Mundo dos Super-Heróis#9 (“Mulher-Maravilha de A-Z”. Ed. Europa). O jato, a princípio, como bem citou VINÍCIUS MOIZINHO, servia pra atender a necessidade de voo da amazona, já que ela apenas hiperssaltava. 

Mais tarde, quando Diana passou a planar e a se deslocar em “correntes de ar”, o jato serviu de locomoção e bagageiro pra grandes distâncias. Na fase pós-Crise (John Byrne), o jato não é mais a essência de Pegasus; é um presente elemental transmórfico alienígena chamado “disco lansinar”, da raça lansinariana, e que pode assumir qualquer forma física – e aí o avião –, chegando até mesmo a se transformar, certa vez, numa redoma flutuante chamada “Domo Maravilha” (não publicada no Brasil, mas com rápidas aparições em DC 2000 #6 , 1990, ed. Abril; Superman & Batman # 5, “Ondas”, 2005, ed. Panini). Nesse último estágio, o jato tem mera função saudosista e ilustrativa, pois que aqui a heroína voa e pode transportar cargas em seu voo. Ficou mais libertário assim, concordam? Na atual série “Os Novos 52!”, o jato invisível nunca pertenceu a Mulher-Maravilha. Em vez disso, ele foi projetado pelo departamento de segurança nacional dos EUA, “ARGUS”, e serve como principal forma de transporte para Amanda Waller e Steve Trevor.

✩ A Mulher-Maravilha Dá Indícios de Que Pode Voar…

         Robert Kanigher e Denny O'Neil assumiram a responsabilidade de escrever as histórias após a morte de Marston em 1950 (este falece em 47). E, como eu disse no começo, na tentativa incontida de aperfeiçoarem a semideusa, vieram as lambanças! Um retcon que serviria mais tarde pra fundamentar a teoria da vulnerabilidade ao patriarcado, tiara-bumerangue, braceletes walk-talk, brincos que a permitiam respirar em ambientes no espaço, telepatia com animais (dada pela deusa da caça, Ártemis, e recuperada em Crise Infinita nos animais guiados por Diana a atacarem Superman manipulado por Maxwell Lord!), e, por fim, o deslocamento suspenso nas correntes de ar e a autoplanagem. Sim, galerinha, agora a Wonder podia dar hiperssaltos e com eles flutuar num ponto fixo ou se deslocar pra vários pontos através da corrente de ar. Sem essas correntes ela não planava, e mesmo assim dependia de sua aeronave, pois ainda não voava por si mesma. A ideia veio de O'Neil, que queria acrescentar mais tensão às cenas de ação que envolvessem confrontos aéreos ou espaciais mais a possibilidade (e a tensão) de Diana cair, se esborrachar no chão e morrer (no caso de falta de correntes de ar ou atraso do jato). Nessa época, a teoria da vulnerabilidade ao patriarcado rezava que Diana Prince perdeu a sua imortalidade amazônica quando deixou a ilha de Themyscira, por isso, a tensão na chance de ela morrer em queda-livre. A autoplanagem e o deslocamento suspenso durariam até 1968, quando Diana Prince “perdeu” em temporário as super-habilidades e virou agente secreta. As histórias de 2007 da Mulher-Maravilha na Panini, escritas por Allan Heinberg, aludem à essa fase "agente secreta Diana".
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WAGNER WILLIAMS ÁVLIS – crítico literário da Academia Maceioense de Letras (reg. O.N.E. ​nº 243), professor de Língua Portuguesa, articulista, historiador do Homem-Morcego.

Sergio Aragonés DESTRÓI A DC, MASSACRA A MARVEL e ESMAGA STAR WARS.


Sergio Aragonés nasceu em 06/09/1937, em San Mateo, Castellón, Espanha, porém ainda na infância mudou-se para o méxico onde cresceu e reside até hoje. Sérgio é conhecido internacionalmente como um dos desenhistas mais rápidos do mundo.
Sergio Aragonés ganhou fama desde que se tornou colaborador da revista MAD em 1963. Ficou famoso por suas vinhetas às margens das páginas da revista.
Nos anos 1980 ele criou a revista em quadrinhos Groo o Errante (assim chamado porque procurara um nome sem significado em qualquer idioma) em conjunto com Mark Evanier. Groo é uma paródia de Conan, o Bárbaro, só que com muito menos seriedade e muito mais humor. Ele também criou o personagem BatLash e a revista Plop!

Pois bem, feita a devida introdução, permita-me lhes apresentar estas pérolas do humor, escavadas diretamente da década de 90 do século passado, mas que ainda hoje são capazes de assegurar ótimos momentos de alegria e descontração.


Em 1998, Sergio e Mark vão fazer um quadrinho para a DC Comics, mas acabam esperando demais na editora, até que Sergio decide terminar as histórias para os artistas. Nisso acontecem cenas inacreditáveis. Todas muito marcantes. A mecânica de Destrói DC e Massacra Marvel é muito parecida com “MAD vê”, com a visão dos dois artistas sobre cada um dos heróis, mas com um vilão por trás de todos os desastres.
A parte mais engraçada do gibi da DC é quando é apresentada a Legião dos Super-Heróis, onde ninguém sabe quem é o líder da ocasião. Também estão no meio de uma seleção de novos candidatos. Como a Garota Dejá-Vu e o Rapaz-Um-Sucesso-Só que toca Virgulóides (Quem Lembra?). Também os Legionários ficam falando nomes de editoras concorrentes: “Não diga Globo numa revista da Abril!”, e assim vai. Um grande destaque é a tradução/adaptação da revista, cujo responsável não é creditado. O vilão da história vai chocar você.


Ainda em 1998 saiu o especial da Marvel. Os heróis são visitados. O Homem-Aranha ficou órfão e a Tia May ficou sozinha porque o Tio Ben fugiu com o Tio João para começarem uma plantação de arroz. O Hulk reclama que os desenhistas não conseguem repetir sua proporção por mais de dois quadros. No Quarteto Fantástico há uma discussão para saber quem é que vai abandonar a equipe dessa vez. E todos eles citam O Mágico de OZ, já que, segundo os autores, essa citação é obrigatória na Marvel.

Enquanto isso, uma onda de sujeira vem arrasando o Universo Marvel, e ao mesmo tempo que vemos cada herói ser arrastado com ela, vamos conhecendo mais do vilão Sinar Gago Cego, que é chocantemente revelado ao final da revista.



Este especial saiu um bom tempo depois (2003) pela Dark Horse, editora que possuía os direitos de publicação de Star Wars antes da Marvel. A história mostra Evanier e Aragonés em uma visita ao Rancho Skywalker, de George Lucas. Os técnicos estão colocando fora as películas antigas dos filmes da trilogia clássica e remasterizando-os. Nisso, um penetra que quer destruir George Lucas provoca um acidente que faz Aragonés parar dentro dos filmes remasterizados de Star Wars. Através de suas trapalhadas, Sergio acaba se tornado o herói da série de Lucas. E, antes que os filmes acabem, os técnicos terão de se esforçar para fazer tudo voltar ao normal! Mas, e como ficou George Lucas nessa história toda?



BÔNUS:
O Mais heroico e o mais imbecil dos guerreiros! A mais devastadora batalha! Dois homens. três espadas. um cérebro! O que poderá acontecer?
Conan da Ciméria é o mais destemido e admirável dos guerreiros; Groo, o Errante, o mais desmiolado e o menos admirável dos aventureiros. Portanto, só mesmo a mente alucinada do cartunista Sergio Aragonés poderia unir as lâminas destes dois guerreiros tão díspares!
O artista Thomas Yeates, que ilustra as cenas do Conan, aceitou ajudar Sergio a narrar visualmente a mais inusitada e acintosa das farsas. ou melhor, das batalhas. o co-roteirista Mark Evanier fez o melhor para tornar realidade um confronto que era o grande sonho dos admiradores de Groo. e o pior pesadelo dos fãs (notoriamente irascíveis) do memorável herói criado por Robert E. Howard
Será que o invencível Conan vai trucidar o Groo? Ou o igualmente invicto Groo é o primeiro e único bárbaro capaz de aniquilar o Cimério? Descubra nesta edição de luxo que a Mythos Editora teve o atrevimento de publicar.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

UM MUNDO ONDE PERDER UMA FILHA É MOTIVO DE PIADA


Post rápido, de uma notícia que está correndo na última hora: Zack Snyder deixou a direção do filme da Liga da Justiça, para passar mais tempo com sua família, após uma tragédia familiar grave. Do tipo, que ficcionalmente já é incômoda, e no mundo real é irreversível: o suicídio de sua filha, de 20 anos. Ficando o trabalho de diretor (na pós produção, já que o filme já deve estar quase todo rodado) a Joss Wheldon, um cara que também dispensa apresentações. Parte de mim quer acreditar que isso tudo possa ser uma notícia falsa, algo feito para gerar barulho, uma brincadeira de péssimo gosto.
O mais preocupante, entretanto, não é sua substituição por "um marvete", profissional inferior, o mais preocupante é ver pessoas COMEMORANDO ISSO.
É comum ver em sites e vídeos, fãs de longa data acusarem o Zack Snyder (embora esse não seja o roteirista e produtor do filme, sendo pela lógica, não o único responsável pelo produto final) de "corromper ícones máximos dos quadrinhos" ou muitas vezes zombarem de sua filmografia. Mas a partir do momento, em que lhe veem um sorriso no rosto por uma tragédia dessas, o mínimo que posso lhe dizer é que você não é fã; É só um vagabundo, como os que vão em campo de futebol espancar outras pessoas por torcerem para outro time. É só mais um dos covardes que depredam patrimônio público em manifestações e depois correm.
É admissível não gostar do trabalho do cara, mas poucas vezes vi diretores de cinema como tanto amor que fazem. Não apenas um trabalho, em que se atropela a obra. Mas tentar entender e transcrever seu material original. Se ponha no lugar, imagine seu emprego, e agora imagine passar por uma situação dessas, você o continuaria desempenhando dando o seu máximo após um baque desses da vida? Dando uma pausa nele só após ter deixado tudo quase pronto? Ou largaria? Agora imagine o seu emprego, com cem vezes mais pressão, recebendo criticas de todos os lados... É mais ou menos isso. "O prego que se destaca, é martelado de volta".


domingo, 21 de maio de 2017

PROJETO XEQUE-MATE #14


Fazem pouco mais que 4 meses, que esse projeto havia dado uma pausa. Não que isso tenha gerado muitos protestos na internet, mas é um hobbie que me agrada, e ainda ambiciono digitar todas suas 200 páginas e colocar a obra completa em PDF. Enquanto isso fique com mais um fragmento:



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CÁLCULO

“Vejo apenas um lance à frente, mas é sempre o lance certo.”
- José Raul Capablanca, campeão de xadrez dos países em desenvolvimento


Talvez a pergunta mais frequente que tenho recebido ao longo dos anos seja: “Quantos lances à frente você vê?” É uma pergunta profunda e ao mesmo tempo ignorante, que busca alcançar o âmago e que é impossível de responder. É como perguntar a um pintor quantas pinceladas ele dá em um quadro, como se isso tivesse alguma coisa a ver com a qualidade da pintura.
Como na maioria dessas perguntas, a resposta é “depende”, mas isso não faz as pessoas pararem de perguntar ou gerações de enxadristas de inventar respostas contundentes. “Tantas quanto forem necessárias” é uma resposta, ou “Um lance a mais que meu adversário”. Não há um número concreto, máximo ou mínimo. Cálculo em xadrez não é mais um mais um; assemelha-se a descobrir uma rota em um mapa que vive mudando diante de seus olhos.
A primeira razão pela qual é simplesmente impossível reduzir o xadrez à aritmética é porque a quantidade de números envolvidos é gigantesca. Para cada lance, pode haver quatro ou cinco respostas possíveis, depois quatro respostas para cada um desses lances, e daí por diante. Os ramos das árvores de decisão crescem de forma geométrica. Depois de apenas cinco lances da posição inicial, há milhões de posições possíveis. O número total de posições de xadrez é maior que o número de átomos no universo. É verdade que a maior parte não são posições realistas de jogo, mas a vasta dimensão do xadrez conseguiria manter os seres humanos ocupados por algumas centenas de anos.


Como as previsões dos meteorologistas, quanto mais adiante você olha, menos precisos serão seus cálculos. Incerteza e avaliações aleatórias atrapalham porque o número de possibilidades fica grande demais para acompanhar. O principio de rendimento decrescente entra em ação no momento em que é necessário cada vez mais trabalho e tempo para reproduzir resultados progressivamente indistintos.
Sempre ouvimos as pessoas se referirem a qualquer tipo de erro como um erro de cálculo. É mais proveitoso encará-lo como um tipo específico de erro, em que os fatores eram conhecidos, mas a conclusão a que se chegou era incorreta. No xadrez, os dois jogadores conhecem todos os fatores, mas na política isso é obviamente impossível. Ainda é impressionante como muitos políticos resultam de suposições “obvias”.

Bismarck

Por meio da guerra e da diplomacia brilhantes, Otto Von Bismack construiu um império alemão na segunda metade do século XIX. Depois de unificar a Alemanha, ele conseguiu isolar a França enquanto cortava relações com a Rússia, enquanto se aliava com a Áustria e a Itália. Ele estava seguro de que França e Rússia nunca fariam uma aliança, porque um monarca absoluto como o czar russo “nunca tiraria o chapéu para ouvir a Marselhesa”, o hino nacional que levara tantos membros da família real para a guilhotina.
Em 1894, quatro anos depois de Kaiser Wilhelm II ter substituído Bismarck como chanceler, os franceses assinaram uma aliança militar com a Rússia. E, quando uma frota de navios franceses visitou a Rússia, o czar não só ouviu a Maselhesa, como de fato tirou o chapéu. Bismack tivera todas as informações que precisava, mas chegou a conclusão errada e subestimou a crescente necessidade que a economia russa tinha do crédito francês. Mais que tudo, ele supôs que o orgulho real sobrepujaria a necessidade financeira; seu erro de cálculo teve repercussões que perduram durante a Primeira Guerra Mundial. Bismarck era um tático e estrategista notável, mas nesse caso, ele não atribuiu aos outros essas mesmas qualidades. Ele cometeu o erro de contar com que os adversários cometessem um engano que ele mesmo nunca teria cometido.

O Cálculo deve ser disciplinado e bem direcionado

Talvez você imagine que um jogo limitado a um tabuleiro de 64 casas seja facilmente dominado pelo poder de cálculo da tecnologia atual dos computadores. Refutar essa hipótese é o segundo segredo para a tomada de decisões precisas: a capacidade de avaliar tanto os fatores estáticos (permanentes) como os variáveis. Cálculo complexo não é o que distingue os campeões. O psicólogo holandês Adriaan de Groot, sobre quem voltaremos a falar mais adiante, realizou estudos que demonstram que os jogadores de elite, enquanto solucionam problemas de xadrez, na verdade não olham tão mais frente que os jogadores consideravelmente mais fracos. Eles podem fazer isso ocasionalmente, mas nem a capacidade de realizar a ação nem a ação em si determinam sua potência superior de jogo. Até um computador avaliando milhões de lances por segundos deve ter um meio de avaliar por que um lance é melhor que o outro, e essa capacidade avaliação é onde o homem se sobressai e os computadores fracassam. Não importa a que distância você olhe, se não entender o que está vendo.

Quando contemplo meu lance, não começo percorrendo imediatamente a árvore da decisão. Primeiro, tenho de considerar todos os elementos na posição para poder definir uma estratégia e desenvolver objetivos intermediários. Preciso ter todos esses fatores em mentes quando finalmente começar a calcular variantes, para saber que resultados são favoráveis. Experiência e intuição podem orientar esse processo, mas uma rigorosa base de cálculos continua se mostrando necessária.
Não importa quanta prática você tenha e o quanto confie em sua intuição, a análise é essencial. Ronald Regan colocou isso em um contexto diferente: “Confie, mas confira.” Sempre há exceções às regras, e qualquer disciplina está repleta de situações anti-intuitivas. Até cálculos relativamente simples podem surpreender. Recentemente, compareci a um jantar para cerca de 25 pessoas. Durante a conversa, constatou-se que  dois pares de convidados aniversariavam no mesmo dia, e que eles estavam encantados com essa coincidência extraordinária. Mas quais são as chances de isso acontecer? Como outro convidado observou, e tantas pessoas sabem, há uma chance de 50% de duas pessoas, em um grupo de 23, aniversariarem no mesmo dia, e ter dois parem em nosso grupo era uma possibilidade de cerca de 1 em 4. Ele prosseguiu dizendo que a chance percentual de um grupo ter duas pessoas nascidas no mesmo dia sobre para 99% com apenas 25 pessoas. A matemática por trás disso não é tão complicada, mas os resultados certamente contrariam a intuição. Mesmo que você esteja bem certo de suas conclusões, deve respaldá-las com análise.


Para se mostrar eficaz, esse processo de análise deve ser ordenado. Qualquer pessoa que já escreveu uma lista de tarefas que elas podem ser realizadas com mais eficiência quando classificadas por prioridades, e desempenhadas na sequencia mais favorável. Minha experiência me orienta a escolher dois ou três lances candidatos como candidatos como objetivo. Em geral, um deles é descartado rapidamente como lance inferior, e outro é considerado para tomar seu lugar. Em seguida, começo a expandir a árvore com um lance por vez, analisando as reações prováveis e meus lances de resposta.
Em um jogo complicado, essa árvore de análise normalmente permanece em uma profundidade de quatro ou cinco movimentos – ou seja, quatro ou cinco lances para cada jogador, ou de oito á dez lances no total. (Nós o chamamos de “meio-lance”, e os programadores de computadores os chamam de ply. Um movimento para as brancas e um para as pretas equivalem a um lance). A menos que haja circunstâncias especiais, como uma posição especialmente perigosa, ou um movimento que você julgue ser fundamental, essa é uma quantidade segura e prática de cálculo.



Para ser eficiente, a árvore de decisão deve ser podada com frequência. É necessário ter disciplina mental para mudar de uma variante para outra, descartando os movimentos menos promissores e mantendo os melhores. Se você ficar pulando de um lado para o outro, perderá um tempo precioso e correrá o risco de se confundir. Você também deve saber quando parar. Isso pode acontecer quando você chega a uma conclusão satisfatória – um caminho nitidamente melhor ou essencial – ou quando a análise adicional não compensar o tempo gasto.

terça-feira, 16 de maio de 2017

OS PRIMEIROS 60 NÚMEROS DA COLEÇÃO MARVEL / SALVAT


Eu já havia comprado e falado de alguns, bem como o DJ, mas foi o Sr. Roger, do Planeta Marvel / DC que executou a brava tarefa (que para ele é bem tranquila) de ler os 60 volumes e escrever suas impressões sobre cada. Por eu estar afastado da compra de quadrinhos há quase um ano, vim saber agora pouco que a coleção foi entendida para mais 60 números de capa preta, sem falar nos que já haviam de capa vermelha, notadamente inferiores a primeira coleção.
A iniciativa da Salvat, digamos que deu um novo rosto ao mercado de vendas de gibis, e ouso até dizer que o impulsionou. Por mais que eu seja mais fã das mensais, é inegável que havia uma parcela gigantesca de fãs implorando encadernados de “fases chave” de grandes personagens. E quando ela o fazia, era com uma destruição péssima, reimprimindo anos e anos depois. Isso, sem mencionar a linha “deluxe” com preços mais que exorbitantes. Há tempos atrás, um leitor para ter um encadernado como “A Queda de Murdock”, deveria pagar cinco vezes o preço de capa no Mercado Livre, pelo simples fato de ser ridiculamente raro cada exemplar. A partir do momento que nos foi dada a oportunidade de conhecer, e mais importante: RELER E TER NA ESTANTE GRANDES HISTÓRIAS pelo ótimo preço de 30 R$ (hoje deve estar em algo como 40 e alguma coisa, ainda assim a metade do preço de um “deluxe”...) já foi algo que fez a Panini ver que ela não era mais a soberana de tudo, que fazia as coisas quando quisesse. Ou acha coincidência ela ter dado um jeito de colocar mais encadernados na rua por 20 e poucos reais?! Com esses novos jogadores, tudo se ampliou, e o consumidor se sentiu lembrado cada vez que entrava na banca.
O que quero dizer relembrando essas coisas? Simples: Baixe os quadrinhos, descubra novas coisas, mas incentive indo comprar nas bancas. Nem que seja para ficar na estante, pelo simples prazer de ter, é uma ótima sensação poder ir até a estante e reler algo, devo ter uns 20 números físicos desses 60, e muitos que eu gostaria de ter comprado, mas não o pude por não estar em boa situação financeira, mas mesmo lendo o scan (que ficará na minha coleção virtual), assim que melhor nas finanças, vou fazer o papel de caçador nas bancas e internet, por que “uma vez colecionador, sempre colecionador...”. E como sei que a maioria dos “leitores” pessoas que caem aqui sem entender é imediatista, e não sabe pesquisar nos tópicos para achar todos mega posts do Roger, estão todos listados abaixo, com link para direcionar a eles.
Vale dizer que todos os links estão hospedados no MEGA, e pelo tamanho de cada arquivo, dividi em packs de 05 edições. Caso vá baixar e apareça uma mensagem como “foi atingido o limite de dados, faça uma conta pró” ou algo similar, baixe e instale na sua máquina o Mega Downloader 1.7, tem um tutorial sobre isso AQUI.


#01 - #10:

#11 - #20:

#21 - #30:

#31 - #40:


#41 - #50: 



#51 – #60:

QUEM NUNCA?!

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Megapost: Coleção Graphic Novels Marvel #51-60 (Editora Salvat)



Graphic Novels Marvel #51 – Capitão América – Morre Uma Lenda, que reúne as edições especiais Fallen Son: Wolverine, Avengers, Captain America, Spider-Man e Iron Man, lançado pela Editora Salvat. 


Análise:
Após o final da saga Guerra Civil, Steve Rogers foi assassinado. Como a comunidade de super-heróis irá reagir a esse trágico evento? Com a ajuda do Dr. Estranho, Wolverine invade o Aeroporta-aviões da SHIELD a fim de ver com seus próprios olhos o corpo do Capitão América. A seguir, os Vingadores se reúnem para um jogo de pôquer, após extravar em cima de um grupo de vilões. Tony Stark oferece o escudo do Capitão para Clint Barton, o Gavião Arqueiro. Ao visitar o túmulo do tio Ben, o Homem-Aranha acaba enfrentando Rino mesmo sem a intenção dos dois de se confrontarem. Por fim, após o funeral, Tony Stark presta suas últimas homenagens.

Cada edição é focada em um personagem ou grupo e abordam os cinco estágios do luto – negação, raiva, barganha, depressão e aceitação, exatamente nessa ordem. Um trabalho meticuloso e emocional. O escritor Jeph Loeb, que já perdeu um filho, sabe muito bem os fortes sentimentos derivados de uma perda tão profunda. Ele soube muito bem transportar esse assunto de uma forma coerente e sensível, humanizando os heróis de uma maneira que o leitor pode se identificar. Cada edição trouxe um grande desenhista – Leinil Yu, Ed McGuinness, John Romita Jr, David Finch e John Cassaday. Embora não sejam unanimidade, são desenhistas reconhecidos no mercado de HQs. Um belo e merecido tributo ao Sentinela da Liberdade. Leitura altamente recomendada.

Graphic Novels Marvel #52 – Thor – O Renascer dos Deuses, que reúne as edições #1-6 da revista Thor (2007), escrito por J.M. Straczynski e desenhos de Olivier Coipel, lançado pela Editora Salvat. 


Análise:
Após o Ragnarok, em que todos os asgardianos pereceram, Thor estava no vazio da existência, até que foi despertado por Donald Blake, a fim de retornar e resguardar sua tão querida Midgard. Ele posiciona Asgard em cima da cidade norte-americana e traz de volta os asgardianos gradativamente, entre eles Balder, Heimdall, os Três Guerreiros e Loki. Mas, a busca por Lady Sif parace infrutífera.

Asgard na Terra. Loki no corpo de uma mulher. Donald Blake vivendo em uma pequena cidade nos EUA. É o escritor J.M. Strakczynski mais uma vez trabalhando com um grande herói do panteão Marvel e tirando-o da zona de conforto (como já havia feito com o Homem-Aranha em 2002), criando situações que podem ser desenvolvidos de forma muito interessante. Um reinício promissor e que deixa o leitor com a vontade de querer saber o que vem em seguida. Leitura altamente recomendada.

Graphic Novels Marvel #53 – Doutor Estranho – O Juramento, que reúne as edições #1-5 da minissérie Doctor Strange: The Oath, escrito por Brian K. Vaughan e desenhos de Marcos Martin, lançado pela Editora Salvat. 


Análise:
Wong, o criado de Stephen Strange, o Doutor Estranho, está com um tumor cerebral e tem apenas alguns meses de vida. Stephen viaja até uma dimensão oculta e encontra o Elixir de Otkid, que aparentemente poderia prover a cura. Porém, antes que pudesse administrar o soro em seu criado, Stephen é baleado e o elixir é roubado. Após ser tratado pela Enfermeira Noturna, o Doutor Estranho descobre o verdadeiro responsável pelo roubo do elixir e os motivos que o levaram a fazer isso.

O ótimo escritor Brian K. Vaughan acerta mais uma vez. Ele propõe uma trama centrada no “médico” Stephen Strange em toda a sua jornada pela busca da cura para seu amigo Wong e, por extensão, para toda a humanidade. O Juramento de Hipócrates permeia toda a motivação do Doutor Estranho durante a história, enquanto ele usa de sua poderosa magia para enfrentar as ameaças que surgem em seu caminho. A presença da Enfermeira Noturna apenas reforça o foco do escritor no médico do ocultismo. Além disso, o dilema levantado por Nicodemus West nas edições finais dá o que pensar. E os desenhos de Marcos Martin, emulando o mestre Steve Ditko mesclam o antigo e o novo de forma magistral. Leitura altamente recomendada.

“Já fiz muitos juramentos em minha vida, desde Hoggoth a Watoomb... mas o primeiro juramento que fiz foi o de Hipócrates”. – Stephen Strange.

Graphic Novels Marvel #54 – Eternos, que reúne as edições #1-7 da minissérie Eternals, escrito por Neil Gaiman e desenhos de John Romita Jr, lançado pela Editora Salvat. 


Análise:
Bilhões de anos atrás os Celestiais visitaram a Terra e a usaram com uma espécie de laboratório experimental criando assim os Deviantes, Humanos e Eternos. Um desses Eternos, insatisfeito, apagou a consciência de todos os outros usando o Celestial Sonhador. Dormentes, os Eternos viveram entre os humanos... até agora. Mas, o despertar dos Eternos também pode trazer terríveis consequências para a humanidade.

Neil Gaiman traz uma trama que não chega ao mesmo nível em que estamos acostumados. Ele explora muito bem os personagens e os conceitos criados por Jack Kirby, mas nada tão complexo, o que é um ponto positivo para leitores que não conhecem os Eternos ou não estão familiarizados com eles desde a década de 70. Além disso, Gaiman não desconsidera o que está acontecendo no universo Marvel, pois estabelece essa história logo após os eventos de Guerra Civil, em que os heróis devem se registrar. Normalmente eu gosto dos desenhos do John Romita Jr, e achei que eles estavam em plena forma nessa série. Uma boa leitura, vale a pena dar uma conferida nessa versão atualizada dos Eternos, seja você fã dos personagens, ou não.

Graphic Novels Marvel #55 – Capitão América – A Escolha, que reúne as edições #1-6 da minissérie The Chosen, escrito por David Morrell e desenhos de Mitch Breitweiser, lançado pela Editora Salvat.


Análise:
Grande símbolo de liberdade e justiça, o Capitão América é acometido por uma doença terminal e seus dias estão contados. Porém, seus ideais de “coragem, honra, lealdade e sacrifício” estão longe de acabar. No Afeganistão, um dos soldados destacados para desarmar um arsenal dentro de uma caverna isolada, o Cabo James Newman e seu pelotão ficam soterrados sob os escombros após uma forte explosão. Quanto tudo parecia perdido, eis que o Sentinela da Liberdade prova porque é um modelo a ser seguido.

O escritor David Morrell estreia no mundo dos quadrinhos de super-heróis com um conto claramente patriota, mas vai além. Aproveita os acontecimentos do atentado terrorista do 11/9 e cria uma situação real militar, onde, acima de tudo, destaca a perseverança e o desejo de fazer o que é correto, simbolizado na figura soberana do herói fictício Capitão América. Narrativa fluída e desenhos que combinam com o tom da história, que serve quase como uma espécie de Capitão América – O Fim. Leitura interessante.

Graphic Novels Marvel #56 – Hulk Contra o Mundo, que reúne as edições #1-5 de World War Hulk, escrito por Greg Pak e desenhos de John Romita Jr, lançado pela Editora Salvat.


Análise:
A nave que levou o Hulk à Sakaar explode matando milhões de pessoas, incluindo a esposa grávida do Gigante Esmeralda, Caiera. Enfurecido, Hulk retorna à Terra com seus companheiros guerreiros do Pacto de Guerra em busca de vingança. E seu alvo principal são os Illuminati – Raio Negro, Homem de Ferro, Reed Richards e Doutor Estranho. Um a um, todos eles tombam diante da ferocidade do incrível Hulk e seus aliados e parece que nada e nem ninguém poderá impedi-los.

É evidente que uma saga assim seria marcada pela brutalidade, violência e destruição em escalas inimagináveis. E foi isso o que realmente aconteceu. Porém, um olhar além de toda essa devastação nos mostra sentimentos profundos por trás dessa história. Traição, lealdade, amargura, rancor, estratégias, são alguns dos temas abordados de maneira sublime e chega a mexer com as emoções do leitor. Talvez o saldo final não tenha ficado a contento de alguns, mas a mensagem ficou clara. Mais do que apenas uma batalha campal entre grandes heróis da Marvel, Hulk Contra o Mundo é uma história de redenção de um dos Maiores Heróis da Marvel. E os traços de John Romita Jr combinaram bem com o clima de devastação e ferocidade da trama, mesclando a momentos de pura reflexão. Leitura recomendada.

Graphic Novels Marvel #57 – Thunderbolts – Fé em Monstros, que reúne as edições #110-115 da revista Thunderbolts, escrito por Warren Ellis e desenhos de Mike Deodato Jr, lançado pela Editora Salvat.


Análise:
A Guerra Civil entre os heróis acabou, mas ainda há muitos que recusaram se registrarem. A população já não confia mais em seus heróis e o governo precisa tomar medidas. O “regenerado” Norman Osborn é nomeado diretor de uma nova equipe de Thunderbolts, formada por Mercenário, Rocha Lunar, Suplício, Venom, Soprano, Homem-Radioativo e Espadachim, para apreender super-humanos que não se registraram. Sua primeira missão é relativamente fácil, capturar o herói Jack Flag. Mas o grande problema da equipe pode ser ela mesma.

Warren Ellis foi uma ótima escolha para assumir o título nesse contexto pós-Guerra Civil que o universo Marvel estava passando. Com uma visão ácida e sem rodeios, Ellis mostra um público facilmente manipulado pela mídia e a face de um governo suscetível, inseguro e arrogante. Sem medo de usar apenas heróis de terceiro escalão como plano de fundo, o escritor focaliza suas energias em desenvolver as relações entre os membros dos Thunderbolts e sua visão crítica da superficialidade humana. Leitura altamente recomendada.

Graphic Novels Marvel #58 – Velho Logan, que reúne as edições #66-72 da revista Wolverine e Wolverine: Old man Logan Giant Size, escrito por Mark Millar e desenhos de Steve McNiven, lançado pela Editora Salvat.


Análise:
50 anos após a derrota dos super-heróis e a ascensão dos vilões, Logan é um fazendeiro pacifista que vive com sua esposa e filhos. A vida não é fácil, principalmente com a Gangue Hulk dominando a região e cobrando seus tributos abusivos. Mas surge uma oportunidade quando Clint Barton oferece um serviço a Logan para que o acompanhe até o outro lado do país a fim de fazer uma entrega misteriosa. Assim, começa uma viagem que terminará da forma mais dramática e violenta para os dois e que afetará profundamente o rumo do futuro caótico desse universo.

O escritor Mark Millar acerta a mão ao trazer um futuro alternativo (que agora faz parte de mais uma das terras do Multiverso da Marvel) focalizando acima de tudo, no personagem Logan. Tendo como plano de fundo a vitória dos vilões obre os heróis e eu domínio sobre o mundo, Logan se destaca principalmente pelo que aconteceu no passado e como isso afetou sua vida nesse cenário. Dosando muito bem drama, ação e uma dose de humor negro nessa história estilo “futuro caótico” e “on the road”, com os desenhos detalhistas e viscerais de Steve McNíven, Old Man Logan é leitura imperdível. Uma pequena observação adicional: foi interessante Mark Millar colocar Wolverine e Hulk frente à frente da forma como aconteceu, já que a primeira aparição do carcaju se deu nas páginas da revista do Gigante Esmeralda.

Graphic Novels Marvel #59 – Invasão Secreta, que reúne a minissérie em oito edições de Secret Invasion, escrito por Brian Michael Bendis e desenhos de Leinil Francis Yu, lançado pela Editora Salvat.


Análise:
Os skrulls são velhos conhecidos dos heróis da Terra, mas, pela primeira vez, seus poderes transmorfos estão indetectáveis. Com vários agentes infiltrados, a invasão skrull foi apenas uma questão de tempo e quando aconteceu, foi rápida e fulminante. Todos os principais pontos de defesa do planeta foram neutralizados – a estação ESPADA, o aeroporta aviões da SHIELD, toda a tecnologia Stark, o edifício Baxter, a montanha dos Thunderbolts e as prisões de segurança máxima. O planeta ficou à mercê e totalmente rendida à ocupação alienígena e os heróis já não sabem mais em que confiar.

Em clima de muita ação e desconfiança, Brian Bendis narra essa saga de forma fluída e linear, sem maiores esclarecimentos ou desenvolvimentos, que ficaram por conta dos tie-ins. A minissérie procura mostrar apenas a invasão em si e suas consequências. Todo o contexto já foi mostrado antes da saga e vem sendo construído desde que Brian Bendis assumiu a franquia “Vingadores” e tem guiado o destino do universo Marvel. Isso talvez deixe alguns leitores que leram apenas a saga, um pouco confusos, mas isso pode acontecer para quem não está acompanhando o desenrolar da cronologia. Tirando isso, a história é direta e até acaba servindo de ponte para uma nova fase da Marvel, nomeada como Reinado Sombrio. Leitura satisfatória.

Graphic Novels Marvel #60 – O Cerco, que reúne a as edições #1-4 da minissérie Siege e a história Siege – The Cabal, escrito por Brian Michael Bendis e desenhos de Olivier Coipel, lançado pela Editora Salvat.


Análise:
Norman Osborn é o homem no comando do universo Marvel neste momento, um período negro que foi chamado de Reinado Sombrio. Em sua demência e influenciado por Loki, o Deus da Trapaça, Norman decide que é hora de invadir Asgard, que está situada sob uma pequena cidade em Oklahoma, e expulsá-la da Terra. Após um incidente envolvendo Volstagg e mesmo sem a permissão do Presidente dos EUA, Norman e seus Vingadores Sombrios atacam a cidade dos asgardianos, provocando a fúria de Thor, o Deus do Trovão e seus aliados Vingadores.

Uma saga relativamente curta de apenas quatro partes recheada de ação e destruição. Fora de contexto, seria uma história simplesmente comum e até um desperdício, mas dentro do período em que o universo Marvel estava vivendo fez todo o sentido. Os heróis já não tinham mais a confiança do governo e do público em geral e a vilania predominava. Era preciso um retorno à Era Heróica. Daí, toda a onda de destruição causada nessa história representa um simbolismo da queda da vilania e o retorno dos heróis de forma dramática e com sacrifícios, todos os elementos que tem cativado seus leitores por tantas décadas. Dentro desse contexto, O Cerco pode ser um deleite aos fãs ávidos pelo retorno de uma fase mais iluminada e heróica. Leitura recomendada.

Por Roger

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